O Núcleo de Sistemas Agrícolas da Embrapa Pesca e Aquicultura reuniu produtores, técnicos e pesquisadores em seu campo experimental de Buritirana, distrito de Palmas (TO), na manhã do dia 4 de fevereiro. O encontro teve o apoio da Amazon Agro e fez parte do projeto “Estado-da-arte da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins” desenvolvido pela Embrapa com apoio da Fundação Agrisus.
O objetivo foi partilhar com os produtores rurais informações sobre a produção agropecuária da região do Cerrado e também coletar dados sobre as atividades desses agricultores e pecuaristas.
O chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno Campos da Rocha, considerou o momento histórico por ser o primeiro encontro de sistemas agrícolas da Unidade de Palmas. “Todo o trabalho da Embrapa está comprometido com sua aplicação prática, por isso, devemos conhecer a realidade de quem vai usar a tecnologia, o produtor rural”, colocou em seu discurso de abertura do encontro.
O histórico do projeto e a dinâmica do evento foram apresentados pelo supervisor do Núcleo de Sistemas Agrícolas da Embrapa Pesca e Aquicultura, Emerson Borghi, que também apresentou o Centro de Pesquisa da Embrapa no Tocantins. “Nossa equipe de sistemas agrícolas vai trabalhar em todo o Estado e regiões vizinhas do Mato Grosso, Maranhão, Piauí e Bahia principalmente”, detalhou o pesquisador que falou também sobre a importância das técnicas de agricultura de precisão.
O engenheiro agrônomo João Victor Rodrigues da Silva, consultor da empresa Syngenta, contou experiências com sistemas integrados aplicados no Estado do Tocantins e falou sobre o potencial do milho safrinha.
O técnico destacou o plantio de soja precoce, que produz entre 100 e 105 dias, que pode ser substituída pelo milho safrinha com capim braquiária. Segundo o técnico, esse sistema ainda comporta uma terceira safra de outra cultura.
Um dos problemas levantados por Silva foi a falta de infraestrutura voltada o armazenamento do milho safrinha. “Ao adotar esse sistema é bom investir no armazenamento desse milho”, recomendou.
A pesquisadora Roberta Carnevalli da Embrapa Agrossilvipastoril, de Sinop (MT), falou sobre sistemas integrados para o bioma Cerrado de baixa altitude, o qual compõe boa parte do Estado do Tocantins.
Ao contar sobre unidades de referência tecnológica implantadas no Mato Grosso, Roberta destacou a importância da agricultura de baixa emissão de carbono e as vantagens do plantio de florestas tanto para a agricultura como para a pecuária.
“No passado, havia o pensamento de que a árvore atrapalhava a atividade agropecuária, hoje sabemos que não é assim”, contou a pesquisadora dizendo que o plantio de florestas pode melhorar a qualidade da produção e ainda gerar uma boa renda ao produtor.
Após as palestras os produtores participaram de um bate-papo e preencheram um questionário de levantamento de dados para a pesquisa da Embrapa. O encerramento contou com visitas às trincheiras abertas no campo experimental de Buritirana.
Os cientistas de solo Junior Cesar Avanzi e Leandro Bortolon, pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura, apresentaram as diferenças encontradas em cada classes de solos que ocorrem na paisagem da região. Os especialistas também apresentaram técnicas de correção ou adubação mais adequadas aos solos mais comuns na região.
Questionários on line
Ao percorrer mais de dois mil quilômetros, o “Estado-da-arte da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins” visitou e entrevistou diversos produtores com o objetivo de avaliar os sistemas produtivos de grãos e pastagens e identificar necessidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a região.
Compõe ainda essa coleta de dados um questionário on line sobre agricultura de precisão que está formando uma base inédita de dados sobre o assunto e criando um panorama da adoção dessas técnicas no Tocantins.
O formulário é preenchido na internet e há uma versão para produtores e outra voltada a empresas prestadoras de serviços.
Fábio Reynol
Embrapa Pesca e Aquicultura
Jornalista - MTb 30.269-SP
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